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Eclesiástico 20

32 versículos

  1. 1

    Quanto melhor é repreender do que irritar-se, e não impedir de falar aquele que confessa a sua falta! Como o eunuco que, concupiscentemente, procura desonrar a donzela,

  2. 3

    assim é o que, por violência, faz um julgamento injusto.

  3. 4

    Como é bom que o corrigido manifeste o seu arrependimento! Assim evitarás o pecado voluntário.

  4. 5

    Há quem, estando calado, seja tido por sábio, e quem se torne odioso por ser descomedido no falar.

  5. 6

    Há tal que se cala por não saber falar; e há tal que se cala, porque sabe qual é a ocasião oportuna.

  6. 7

    O homem sábio está em silêncio até um certo tempo, mas o leviano e o imprudente não esperam a ocasião.

  7. 8

    Aquele que fala muito prejudica a sua alma, e aquele que injustamente se excede será detestado.

  8. 9

    O homem sem disciplina pode ser bem sucedido no mal, porém aquilo que ele inventa pode converter-se em sua própria ruína.

  9. 10

    Há dom que não é útil, e há dom que é duplamente recompensado.

  10. 11

    Há glória que leva à ruína, e há humilhação seguida de exaltação.

  11. 12

    Há quem compre muitas coisas por baixo prego, mas que (de facto) as paga pelo séptuplo do seu valor. (ver nota)

  12. 13

    O sábio torna-se amável pelas suas palavras; porém as graças dos insensatos perder-se-ão.

  13. 14

    O donativo do insensato não te será útil, porque ele tem sete olhos para te considerar. (ver nota)

  14. 15

    Ele dará pouco, e lançá-lo-á muitas vezes em rosto; quando a sua boca se abre, é como um incêndio.

  15. 16

    Um empresta hoje, e torna-o a pedir amanhã: homem assim torna-se odioso.

  16. 17

    O insensato não terá amigo, e o bem que ele faz não será agradecido,

  17. 18

    porque os que comem o seu pão têm língua falsa. Quantas vezes e quantos homens escarnecerão dele?

  18. 19

    De facto dá, sem discernimento, o que devia reservar, e também aquilo que não devia guardar.

  19. 20

    A falta duma língua enganadora é como uma queda sobre o pavimento; assim a ruína dos maus virá de súbito.

  20. 21

    O homem desagradável é como um conto vão, que anda sempre na boca de gente mal educada. (ver nota)

  21. 22

    Será mal recebida a máxima procedente da boca do insensato, porque não a diz a seu tempo.

  22. 23

    Há quem se abstenha de pecar por falta de meios, e sofra por ter de estar na inacção.

  23. 24

    Há quem perca a sua alma por causa do respeito humano; perde-a, cedendo a uma pessoa imprudente, a si mesmo se perde, por atender demasiadamente a uma pessoa.

  24. 25

    Tal há que, por falsa vergonha, promete ao seu amigo, e arranja gratuitamente nele um inimigo. (ver nota)

  25. 26

    A mentira é no homem uma vergonhosa mancha, e ela encontra-se habitualmente na boca da gente sem educação.

  26. 27

    Melhor é um ladrão do que um homem que mente de contínuo, mas ambos terão por herança a perdição.

  27. 28

    Os costumes dos homens mentirosos são sem honra, e a sua confusão acompanha-os sempre.

  28. 29

    O sábio atrai a si a estima com as suas palavras, e o homem prudente agradará aos grandes.

  29. 30

    Aquele que cultiva a sua terra, tornará mais alto o monte dos seus frutos, o que pratica obras de justiça será exaltado, e o que agrada aos grandes fugirá da iniquidade.

  30. 31

    Os presentes e as dádivas cegam os olhos dos juízes, são como uma mordaça na sua boca, que os torna mudos e os impede de castigar.

  31. 32

    Sabedoria escondida é tesouro invisível; que utilidade haverá em ambas estas coisas?

  32. 33

    Melhor é o homem que encobre a sua insipiência do que aquele que esconde a sua sabedoria.