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Sabedoria 14

31 versículos

Capítulos de Sabedoria
  1. 1

    Um outro ainda, fazendo tenção de se fazer ao mar, preparando-se para atravessar as impetuosas ondas, invoca um madeiro mais frágil do que o barco que o leva.

  2. 2

    Com efeito, a cobiça de ganhar inventou o navio, e um artista pela sua sabedoria o fabricou. (ver nota)

  3. 3

    Mas a tua providência, ó Pai, é que o governa, porque tu até no mar abriste caminho, e uma derrota seguríssima por entre as ondas, (ver nota)

  4. 4

    mostrando que és poderoso para salvar de todos (os perigos), ainda que alguém se meta no mar sem conhecimento da arte (de marear).

  5. 5

    Queres, entretanto, que as obras da tua sabedoria não sejam vãs, e, por isso, os homens confiam a um pequeno lenho as suas vidas, e, atravessando o mar sobre uma embarcação, chegam a salvamento. (ver nota)

  6. 6

    Desta sorte, nos primeiros tempos, quando pereceram os soberbos gigantes, refugiou-se a esperança de toda a terra numa barca, conservando para o mundo a semente das novas gerações, graças à tua mão que a governava. (ver nota)

  7. 7

    O madeiro, do qual se faz bom uso, é bendito.

  8. 8

    mas o ídolo, obra das mãos (do homem), é maldito, ele e o seu autor; este, porque de facto o fabricou, e aquele, porque, sendo uma coisa corruptível foi chamado deus.

  9. 9

    Deus aborrece, de facto, igualmente o ímpio e a sua impiedade.

  10. 10

    A obra será castigada juntamente com o seu autor.

  11. 11

    Por esta causa serão também julgados os ídolos das nações, porque, no meio da criação de Deus, tornaram-se uma abominação, objecto de escândalo para as almas dos homens, e um laço para os pés dos insensatos. (ver nota)

  12. 12

    A ideia de fazer ídolos foi o princípio da fornicação, a sua invenção foi a perda da vida. (ver nota)

  13. 13

    Eles não existiam no princípio, nem durarão sempre.

  14. 14

    Foi a vaidade dos homens que os introduziu no mundo, e por isso, em breve, se verá o seu fim, decidido por Deus.

  15. 15

    Penetrado um pai de dor amarga, fez a imagem de seu filho, que prematuramente lhe tinha sido arrebatado, e aquele, que não era mais que um morto, começou a adorar como deus, transmitindo aos seus servos ritos secretos e cerimônias.

  16. 16

    Depois, com o andar do tempo, firmando-se este ímpio costume, foi observado como uma lei, e por ordem dos príncipes foram também adorados os simulacros.

  17. 17

    Aqueles que não podiam honrar em presença os que estavam distantes, mandavam representar a sua figura que se achava longe, mandavam fazer a imagem visível do Rei, a quem queriam honrar, a fim de prestar aquele que estava ausente um culto tão zeloso como se estivesse presente.

  18. 18

    A ambição do artista excitou também este culto mesmo no espírito dos que não conheciam o rei,

  19. 19

    porque, desejando o artista agradar ao soberano, esmerou-se com a sua arte em tornar a representação mais bela que a realidade;

  20. 20

    o vulgo, seduzido pela beleza da obra, tomou por um Deus aquele que até ali tinha honrado como homem.

  21. 21

    Isto foi ocasião de queda para a vida (humana), (proveniente) de que os homens, sujeitando-se à lei da desgraça ou da tirania, deram às pedras e à madeira o nome incomunicável. (ver nota)

  22. 22

    Como se não bastasse terem errado acerca do conhecimento de Deus, os homens, vivendo em grande guerra de ignorância, deram o nome de paz a tão grandes males. (ver nota)

  23. 23

    Sacrificando os seus próprios filhos, celebrando mistérios clandestinos, entregando-se a orgias desenfreadas de ritos estranhos,

  24. 24

    não conservam puros nem o seu proceder nem os seu matrimônios, mas um mata outro por traição ou o ultraja com o adultério.

  25. 25

    Há em toda a parte, numa confusão completa, sangue, homicídio, furto, engano, corrupção, infidelidade, revolta, perjúrio, perseguição dos bons,

  26. 26

    esquecimento dos benefícios, contaminação das almas, crimes contra a natureza, instabilidade dos matrimônios, adultério e impudicícia.

  27. 27

    Porque o culto dos ídolos sem nome é o princípio, a causa e o fim de todo o mal.

  28. 28

    Praticam loucuras enquanto se divertem, ou fazem vaticínios cheios de mentira, ou vivem na Injustiça, ou juram falso sem escrúpulo.

  29. 29

    Como depositam a sua confiança nos ídolos, que não têm vida, esperam não receber punição de tais perjúrios.

  30. 30

    Porém sobre eles virá o merecido castigo por ambos estes crimes: porque pensaram mal de Deus aderindo aos ídolos, e com fraude juraram injustamente, desprezando a santidade.

  31. 31

    Não é o poder daqueles, por quem juraram, mas a pena devida aos pecadores que anda sempre no alcance da prevaricação dos injustos.